Hutúz 2000
Teatro Carlos Gomes, Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. Três homens fardados observavam imóveis o desenrolar da cerimônia no palco, de pé, no canto esquerdo da platéia lotada, a trinca de policiais escutava, num misto de respeito imposto e desconforto velado, o discurso de MV Bill. Na época, carregando nas costas a polêmica da apologia ao tráfico, o rapper foi destaque do prêmio Hutúz 2000, que levou ao teatro carioca cera de 800 pessoas, numa noite memorável para o rap nacional. Mais que a celebração do gênero musical, a premiação marcava a importância cada vez maior da cultura hip hop na cena musical brasileira.
Apresentada pelo locutor Paulo Brown e pela atriz Camila Pitanga, a primeira edição do Prêmio Hutúz distribuiu 12 troféus para os melhores do rap nacional; MV Bill garfou três: melhor clipe, melhor álbum de rap e melhor música; escoltados por um carcereiro, os detentos Dexter e Afro X, do 509-E, tiveram permissão especial para sair do Carandiru (SP), e receber o prêmio de revelação. Misturado ao público rap que lotava o teatro, o senador Eduardo Suplicy subiu ao palco para entregar o troféu de melhor grupo aos veteranos Thaíde e DJ Hum.
Entre uma e outra entrega de estatueta, som nas pick ups, preparando o público para o show da noite: a festa continuou na Fundição Progresso, reunindo mais de 2500 pessoas ao som de Camorra, Xis, MV Bill, 509-E e Da Guedes. É... a voz do rap aos poucos foi ganhando terreno, ocupando espaço, a filosofia das ruas mostra a cara para mostrar a que veio.